Como Transformar Exercícios em Música

O Que é Natural

A natureza não se repete. Não há uma só pessoa no mundo que seja exatamente igual a mim ou a você. Uma árvore natural não possui uma só folha igual a outra que lhe pertence, isso porque a árvore, e eu somos um fenômeno natural, e não um ato artificial feito em série.

Sabendo disso temos que a variação é o que dá naturalidade às coisas. O fator musical é feito de naturalidade, como se dizia de Charlie Parker (Bird), que ele era como um passarinho, ou seja, um alguém que tocava tão naturalmente, tão musicalmente, que parecia um produto da natureza, um belo passarinho a cantar.

Bird

Temos então que a variação é o fator da musicalidade, mas uma variação sem critério também não produz naturalidade. Imagine só se as folhas de uma árvore não tivessem nada em comum umas com as outras, dessa maneira também não formariam um todo harmônico e natural, de forma que algo na música tem de ser lembrado e dialogado.

Assim são as frases musicais, elas possuem naturalidade, ou seja, variam, porém, possuem referências entre si, de forma a lembrarem umas às outras. Isso faz com que a música tenha o fator natural e o nexo que lhe faz um discurso que conta uma história, e que refere-se a si mesmo com nexo e uma cadeia causal.

Tendo em vista essa naturalidade, e esse nexo musical, temos que as frases musicais precisam variar, e ao mesmo tempo, precisam possuir algo de comum, um nexo que lhes faz contar uma história coerente, com contexto, com início, meio e fim.

A Dificuldade dos Estudantes

Mas muitos estudantes de música estudam escalas, arpejos e toda sorte de estruturas e não conseguem produzir esse efeito natural e causal na música. Isso é simples de se entender, ninguém ao fazer música toca uma escala pura em meio a ela, ninguém ao fazer música expressa nela o que aprendeu num exercício.

A razão para isso é fácil de se compreender, se eu coloco um exercício em meio a uma música ele parecerá um exercício e não uma música. Tocar a escala de Do maior de Do a Do não faz com que eu consiga transmitir a musicalidade, e nem mesmo nenhum nexo musical que me faça ter elementos naturais e contextualizados.

O Estudante Bitolado

É por isso que muitos, inúmeros músicos, sabem tudo sobre escalas e arpejos, mas não sabem nada sobre frases musicais, de forma que ficam restritos a bons fazedores de exercícios, e muito ruins fazedores de música em si mesma, o que é trágico e terrivelmente irônico, pois mesmo estudando muito, e fazendo tudo o que estudam muito bem feito, não saem do lugar.

A razão para isso é que estão estudando errado o que poderiam estudar corretamente. Estudam exercícios como exercícios, e nunca saem desse estágio nebuloso que a nada leva senão a grandes fazedores de exercícios.

A verdade é que ninguém consegue fazer música se não sabe aplicar o que estuda às músicas que toca. De nada adianta se transformar em bons fazedores de exercícios, se não há musicalidade nisso, se não há contextualização e nem mesmo aplicabilidade musical.

Transformando Exercícios em Música

O que lhes falta de verdade é aquilo que dissemos no início, ou seja, a naturalidade, e o nexo. Ninguém deve estudar uma escala visando fazer a escala. Pelo contrário, devemos estudar a escala visando com isso fazer música, e música não é como uma escala, e sim como música, com naturalidade e nexo, com variabilidade e contexto.

Nesse momento precisamos transpor a barreira do exercício e atingir aos poucos a musicalidade. O exercício é um padrão puro que se resume a uma forma de tocar. Tocar uma escala de uma só forma é o mesmo que homogeneizar o que se toca, isso é bom até um ponto, depois começa a ficar negativo.

A Transformação

Se não transpormos a barreira do exercício nada nos resta senão entediar quem nos ouve. O método consiste em quebrar essa barreira aos poucos. Substituindo uma só maneira de fazer o exercício por muitas maneiras de fazê-lo. É preciso saber abordar a estrutura (a escala, o arpejo, a frase) de diversas formas, e não de um só jeito.

Fazendo assim conquistamos uma coisa que se chama variabilidade, e esse é o elemento do natural. Tocar o exercício das mais diversas maneiras possiveis, desomogeneizar o que é homogêneo trazendo através de diversos padrões diferentes a naturalidade de se construir a escala e o acorde de maneira espontânea e variada.

A Variabilidade

A variação passa por inúmeros padrões melódicos, os chamados desenhos. Mas não só isso, diversas maneiras de se articular o mesmo exercício também são importantes, para sair do tudo ligado, e tudo articulado (os primeiros passos). Outra forma de variar é incutir padrões rítmicos, como por exemplo o sincopado para produzir linguagem da música brasileira, o swing para produzir a linguagem do Jazz etc.

Produzindo a escala, e o arpejo desta forma conquistamos um novo patamar de execução, que não o exercício em si mesmo, mas o exercício transformado em algo natural, que aos poucos vai se transformando em música à medida que fragmentamos o que temos debaixo dos dedos e combinamos de diferentes maneiras para produzir mais e mais variação, até atingir a naturalidade de uma frase.

O segredo de uma pentatônica é tocar uma pentatônica como se não fosse uma pentatônica, mas sim uma frase musical livre, natural, aleatória e também contextualizada, com nexo, entre perguntas, respostas, desenvolvimentos e conclusões. Isso é sair do exercício e atingir vagarosamente o status de música.

Aos poucos com essa variabilidade, e essa construção que a si mesmo se refere a todo momento, temos um discurso natural, que não repete formas, que não tem vícios, e que certamente convence quem ouve de seu controle e consciência, produzindo assim uma poesia musical em forma de frases.

É com esse método que criei o ebook PENTATÔNICAS PARA SAX, que certamente traz, dentro de uma escala pentatônica, muito utilizada nas igrejas, na música pop, no blues, no bar e em toda a parte, todas essas possibilidades e caminhos.

Pentatônicas

O e-book PENTATÔNICAS PARA SAX vem com playbacks (em vários estilos) que se associam à escala podendo por meio destes aplicar o que se aprendeu em termos de variabilidade e nexo, de forma musical, tudo o que estudamos no início. Mais do que isso o ebook tem um grupo privado de suporte no qual você tem possibilidade de fazer perguntas sobre o material que certamente serão levadas muito a sério e debatidas à exaustão até a perfeita iluminação do estudante.

Vale a pena transformar escalas em frases musicais, exercícios em música. Vale a pena estudar o ebook PENTATÔNICAS PARA SAX.

Daniel Vissotto

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