A história
O swing é o que chamamos de jeito irreverente de tocar as colcheias numa música, é preciso muito mais do que simples palavras para descrevê-lo, por isso vamos tentar neste post colocar o máximo de exemplos possíveis para que o leitor possa ouvir, entender e reproduzir o que é o swing do jazz.
Por volta de 1920 com o crescimento das orquestras de jazz, o jazz passou de grupos pequenos, como quintetos e quartetos para grandes orquestras, as famosas BigBands, como as de Duke Ellington, e também de Count Basie.
Esta maneira de tocar se tornaria assim um estilo musical próprio, o Swing, expresso na Swing era, quando em 1935 Benny Goodman estouraram no Palomar Ballroom em Los Angeles. A partir daí o swing havia virado uma febre e as músicas irreverentes tocavam nos rádios o dia inteiro.
O jazz passava a ser um estilo para ser dançado, os ícones dessa fase foram Benny Goodman, Count Basie, Duke Ellington, Glenn Müller, Art Shaw, Lionel Hampton, Chuck Webb, cada um com suas orquestras marcantes, e é claro também Ella Fitzgerald e Billie Hollyday, que incorporaram o swing na articulação vocal, tornando-o uma sensação natural do canto.
O que caracterizou o swing foi a cozinha dessas orquestras, baseadas no walking bass, ou seja, quatro tempos regulares, já a bateria deixou o bumbo marcar o tempo forte, e passou a acentuar o ride, e também o hi-hat, como o chick marcando o 2 e o 4. O piano e a guitarra acentuavam tudo isso de forma complementar. Daí vieram o groove calmo e elástico e o balanço contínuo que definiram o swing.
O advento do bebop
Após a segunda guerra mundial, o swing começou a perder o espaço para o bebop, que era um ritmo mais rápido e improvisado, que tinha como ícones Charlie Parker, Dizzy Gilespie e Thelonious Monk. Porém, o swing como balanço nunca desapareceu, ele continuou dentro dos estilos modernos como o jazz, o R&B, o funk e até mesmo no pop. Hoje, tocar com swing, poderia ser traduzido como tocar com balanço, ainda que estejamos fora do jazz tradicional.
O que é o swing?
Em vez de tocar as colcheias estritamente iguais, o que ocorre é que a primeira do par de colcheias é um pouco mais longa, e a segunda um pouco mais curta, criando um certo balanço. Poderíamos dizer até, com mais precisão, que a primeira é longa e a segunda é atrasada.
Uma forma de se pensar o swing é por meio de uma quiáltera de três notas, uma tercina, na qual se toca somente a primeira e a terceira, ou algo que lembre essa dinâmica. Porém, essa definição é muito pobre, e o valor exato dessa divisão varia de estilo para estilo, de músico para músico.
Desde que o swing se transformou num sentimento, ninguém mais teve condição de dizer exatamente em palavras o que o swing é de fato. O swing está além de matemática, é um sentimento que reage ao groove, este que acentua os tempos 2 e 4 do compasso, com os quais precisa-se vibrar em conjunto.
O que fazer?
Não pense nas notas, mais importante do que a nota em si mesma é o tempo entre elas, a primeira tem de durar mais do que a segunda, e isso traz um ar de relaxamento, paz, tranquilidade, malandragem, irreverência para aquilo que estamos tocando.
É importante identificar o groove da cozinha, que é formada por bateria (ride ou hi-hat), o walking bass, e o piano e a guitarra quebrando um pouco em complemento, é preciso se encaixar nesse groove, nesse sentimento, nessa coisa que é o swing.
É necessário tocar com fluidez, procurando na maioria das vezes acentuar a nota mais atrasada, o que produz um sentimento de calma em quem ouve, algo que está atrasado, mas ao mesmo tempo está no tempo certo, a articulação predominantemente vai com a ligadura da segunda para a primeira nota, de forma que o ataque da segunda nota é evidenciado.
Estas maneiras de descrever o sentimento do swing do jazz são faltantes, melhor do que tudo isso é ouvir, introjetar, cantar, e imitar no instrumento. Nunca haverá aprendizado do que é o sotaque do swing do jazz sem uma imersão muito bem qualificada na música que o contempla.
Caso você queira aprender de fato a swingar, aconselho aulas com o professor, e uma grandiosa imersão na música do swing. É preciso ouvir, imitar, assimilar, e produzir a seu modo. Sem esse trabalho sério e comprometido, não há como produzir o swing do jazz de maneira satisfatória.
É preciso ter referências, as aulas certamente serão fundamentais, porém, o mais importante é o mergulho no mundo do swing com propriedade para, por meio disso, sentir o que é o swing de fato, tocar o que o swing é e expressar essa arte à sua maneira em toda a sua inteireza.
Daniel Vissotto





