A história do vibrato
O vibrato no saxofone tem raízes que remontam às origens do instrumento que foi inventado por Adolphe Sax em 1849. Sua prática evoluiu significativamente ao longo do tempo, influenciada principalmente por tradições vocais, instrumentais e estilos musicais.
O vibrato pode ser definido como uma oscilação periódica no tom, volume ou timbre, usada para adicionar expressividade à fala do saxofone, imitando principalmente a voz humana e também instrumentos de corda.
Nos primórdios do século XIX e até o início do século XX, no contexto clássico europeu, o vibrato era quase que ausente, o que se priorizava era um tom puro e reto, similar ao som do clarinete ou do oboé.
Influenciados pelo jazz, alguns saxofonistas começaram a incorporar o vibrato à música clássica, porém, sempre de forma controlada e estreita, creditando influências vocais e de cordas.
Durante a era do swing (1920 – 1940), o vibrato evoluiu para um elemento central no som do saxofone jazz, impulsionado pela popularidade das BigBands e da música de dança. Solistas como Coleman Hawkins, Lester Young desenvolveram um vibrato amplo, oscilante e terminal, frequentemente após sustentar a nota.
Como dissemos o jazz influenciou o vibrato da música erudita. Influencias cruzadas como Marcel Mule, que tocava com contextos jazzísticos, ajudaram a refinar o vibrato, tornando-o mais controlado, mas no jazz ele permaneceu largo e lento comparado ao clássico que era mais estreito.
Passada a era do swing, no Bebop, Charlie Parker revolucionou a música com um tom duro e com muito pouco vibrato, priorizando a velocidade e a precisão, influenciando assim uma redução no uso para algo mais e mais sutil.
Foi quando Cannonball Adderley, Sonny Stitt e Joe Henderson seguiram a tendência de John Coltrane, diminuindo o vibrato para um uso esporádico, com menos exagero.
Já nos anos 1950, Stan Getz adotou um vibrato sutil e controlado, influenciado pelo swing, mas adaptado a um som mais relaxado e menos oscilante. Com o advento do Fusion e do smooth jazz o vibrato evoluiu para uma forma mais rápida e diafragmática em alguns casos.
Hoje, no jazz contemporâneo, o vibrato é altamente personalizado e menos predominante: estilos tradicionais mantém o terminal e amplo, porém, no jazz moderno, é mínimo ou ausente em uníssonos rápidos, priorizando o straight tone, aplicado mais em baladas para intensidade emocional.
A predominância é do vibrato de mandíbula, convivendo com elementos de diafragma, em amplitude estreita para naturalidade, refletindo uma fusão de tradições históricas com experimentação individual.
Essa evolução reflete mudanças no jazz, de coletivo e dançante para introspectivo e técnico, com o vibrato passando de ornamento essencial a ferramenta seletiva.
O mecanismo do vibrato
Há diversos elementos envolvidos no vibrato. O primeiro deles é o vibrato feito com o diafragma, é muito pouco utilizado no saxofone, vem principalmente dos instrumentos de sopro como flauta, pois não possuem boquilha e precisam do ar para poder vibrar.
Outro tipo de vibrato é de mandíbula, diferentemente do vibrato diafragmático no qual variamos a intensidade da nota, no vibrato de mandíbula variamos a afinação. Ou seja, desafinamos para baixo e depois afinamos para cima a nota.
O timbre também está envolvido no vibrato. Não que tenhamos de vibrar com o timbre, mas a meu ver é interessante ter um realce no timbre do saxofone enquanto vibramos, utilizando para isso os voicings, ou trazendo mais agudos ou mais graves para o som.
Por último temos a possibilidade da combinação desses elementos, o que produz um vibrato cheio de realces, que pode ser utilizado com comedimento, porém, presente naquilo que fazemos.
Como estudar o vibrato?
Para produzir o vibrato precisamos ter o controle da vibração do mesmo. O vibrato não pode ser desordenado e sem controle, precisa ser me primeiro plano um efeito consciente, ou seja, não pode estar automatizado, e em segundo plano um efeito que se controla.
O primeiro passo do controle é controlar as frequência das ondulações do vibrato. Para tanto é importante começar com metrônomo, produzindo de maneira proposital as variações do vibrato de maneira controlada uma por batida (60 bpms), depois duas, depois três, e quatro, assim por diante.
Depois disso estudar o vibrato que tem oscilações de frequência crescente, cada vez mais rápidas, começando lentas e terminando rápidas. Outra possibilidade é treinar o contrário, começando rápidas e terminando lentas.
Após isso é importante acrescentar dinâmica, começando a nota reta, vibrando aos poucos, e diminuindo a intensidade do som até uma espécie de eternidade do som, num decrescente constante, até a nota sumir.
Controlando as vibrações, produzindo o apressar das vibrações, e também o ralentar das vibrações, está na hora de mirar os grandes mestres do saxofone e observar os seus vibratos para poder emulá-los e conseguir assim linguagem.
Como eu faço predominantemente o meu vibrato
Predominantemente não gosto de fazer o vibrato na subdivisão da música, acredito que fica uma versão previsível do vibrato e não me sinto bem, tornando a música até um tanto quanto piegas. O que eu busco ao vibrar a nota é uma transgressão rítmica, um saborear da nota.
Geralmente uso o vibrato em notas longas de meio de frase e também de finalização de frase, não gosto de utilizar o vibrato o tempo todo da frase, pois sinto-me mal ao fazê-lo. Mas há quem o faça.
Utilizo a nota reta no início, e ao despedir-me da nota, produzo a vibração da mesma primeiro mais lento e depois mais rápido, num crescente de velocidade da oscilação, e num decrescente de intensidade do som.
Procuro utilizar o vibrato mandibular, primordialmente, raramente utilizo o vibrato diafragmático, e acoplo a este vibrato um pequeno realce na sonoridade da nota, trazendo mais graves por meio de um voicing mais aberto ou mais fechado, dependendo do que eu quero produzir.
Como fazer o vibrato
Hoje em dia, o mais utilizado é fazer o vibrato em notas longas, e notas de finalização de frase. Mas esse costume já foi outro em outras épocas, na época das BigBands a coisa era constante, e o vibrato muito marcado.
Com o tempo o comedimento foi tomando conta das execuções e diminuiu-se muito a frequência do vibrato, não há comparação do vibrato feito na época das grandes BigBands para o vibrato feito hoje em dia nos estilos como o jazz, o fusion, o smooth jazz etc., realmente a coisa depende do tempo, e da época em que estamos inseridos.
É obrigatório fazer vibrato?
Não é obrigatório, mas é linguagem do saxofone, e é, a meu ver, um efeito fundamental para a expressividade do instrumento. Nada na música é obrigatório, a verdade é que não há leis, mas recomendações.
Creio que o vibrato é isso, uma recomendação forte a respeito da linguagem do saxofone que deve ser muito considerada, pois faz parte de quase toda a história do saxofone, e também de nossos dias atuais.
Para você que quer aprender mais e mais sobre o vibrato no saxofone, aconselho aulas com o professor, certamente você terá um respaldo profissional para poder evoluir muitíssimo mais rápido do que com o professor de sua cidade, de sua igreja, ou da escola que há perto de seu caminhar.
Daniel Vissotto





