O que é interpretar?
Parto do princípio de que a interpretação tem camadas, e que precisamos ter o controle sobre elas para poder se desenvolver musicalmente nessa arte tão importante para os saxofonistas.

A primeira camada é a da articulação, ligar de desligar, como ligar e como desligar, e também engloba a parte de acentuação, o que é muito importante para alguns estilos, como o Jazz, entre outros.
A articulação tem direta relação com o ligar e desligar das notas, e qual o meio pelo qual faremos isso, já a acentuação tem ligação com o quantum de ar que pomos na nota para destacá-la das demais, enquanto a articulação é língua, a acentuação é ar.
A segunda camada, dominada a articulação (acentuação e articulação) é a da dinâmica. A saber, a arte de tocar mais forte e menos forte (piano), o que incide diretamente sobre a expressividade do saxofonista. É preciso saber onde crescer, onde descrescer numa música, e também como coordenar sua dinâmica.
Posteriormente é interessante começar a dominar as variações rítmicas. O que são variações rítmicas senão aquilo que fazemos sem alterar a melodia da música, porém, alterando o tempo das notas, agindo como um Robin Hood, tirando tempo de umas notas e dando tempo pra outras para comepensar.
É preciso desenvolver muito a capacidade de sentir a temporalidade, pois não podemos, no todo, alterar o valor das notas, apesar de, em partes, estarmos tirando de uma nota para dar para outra, e assim alterando a rítmica das notas da música.
O próximo passo são as variações melódicas. Variar melodicamente é como improvisar sobre um tema sem perder a essência do mesmo, requer muito controle do que estamos fazendo para não nos perder em meio à música e assim invadir o tempo ou a harmonia erradas.
As variações melódicas se dão principalmente nos tempos vazios da música, com frases de complemento, dependendo de quantos instrumentos estão tocando. Por exemplo, se há apenas um saxofone e um piano, sobram muitos espaços vazios, há necessidade de muitas variações melódicas.
Depois das variações melódicas, temos o vibrato. Dominar o vibrato é um efeito à parte. Geralmente precisamos começar por dominar as vibrações e depois entender onde colocar tais vibrações, o que geralmente em nossos tempos tem sido posto em notas longas, e de finalização de frase.
Dominados todos esses recursos da interpretação é interessante começar a incrementar sua interpretação com outros recursos como efeitos e ornamentos. Efeitos são diferentes de ornamentos, dizem respeito ao som. Já os ornamentos dizem respeito a notas que se acrescenta à música.

Saxofonista
Coisas como som rouco, subtonado, portamento, bend, scoop, fall, frulato, dinâmica, slap tong, multifonia, nota fantasma são alguns dos efeitos mais comuns do saxofone. Há outros, pois o saxofone é um instrumento infinito em expressividade.
Já os ornamentos mais comuns são apogiatura, trinado, glissando, mordente, grupeto, floreio, flip, risada, false fingering, e outros mais. É meio difícil caracterizar todos eles, pois há muita mistura, e também divergências quanto a essa caracterização.
O interessante é ir por camadas, dominando-as uma a uma, e acrescentando os degraus dessa busca aos poucos, quanto mais controle, maior a capacidade de expressividade.
Alguém pode perguntar: você pensa tudo isso quando interpreta? O ideal é pensar, pois quando temos um recurso que se automatiza o que temos é um vício e não um recurso propriamente dito, de forma que é necessário ter consciência de tudo para termos uma interpretação ainda melhor.
A jogada parte de ter domínio do que se faz, para poder expressar o que se quer quando se quer, fazendo assim certamente conseguiremos vencer na empreitada de expressar cada vez melhor nossos sentimentos.
Para você que quer entrar nessa jornada, indico aulas com o professor, escreva para (11) 996664420 (WhatsApp) e marque a sua.
Daniel Vissotto





