Muitos saxofonistas buscam de forma intensa a melhorar o som de saxofone, alcançar o timbre dos sonhos neste instrumento é algo que todos buscam, muitos de maneira errada, outros de maneira acertada, porém, é importante que o saxofonista saiba que existem certas coisas que devam ser feitas que certamente produzirão um melhor som no saxofone, e é delas que vamos falar neste post.
O Setup
Um setup equilibrado é fundamental. Sabemos que os saxofonistas iniciantes precisam de um setup de fácil resposta, e os mais avançados, pelo mesmo motivo de que são avançados, não procuram fácil resposta, mas um timbre melhor, pois já sabem tirar o som do saxofone.
No início, para os mais iniciantes, tanto faz a diferença de um setup mais avançado com um setup mais amador, o fato é que os iniciantes não sabem ainda fazer som. De forma que precisam aprender primeiro a tirar som de sax, para depois se preocupar com setup específico.

O setup
Porém, quando se está mais adiantado, é preciso saber mais ou menos o tipo de som que queremos, e caminhar para o setup que está mais à nossa mercê nesse sentido. Ou seja, alinhar o setup com o projeto de som que estamos buscando, isso é importante para quem já timbrou no saxofone.
Palhetas mais duras podem ser usadas para tirar sons mais aerados e foscos, enquanto que palhetas mais moles produzem um som mais brilhante e imediato, quando falamos de boquilhas há uma infinidade de variações, a rampa da boquilha, a câmara interna, a abertura da mesma, etc. Tudo isso influi no som.
O que é importante é que, encontremos um setup equilibrado para com nosso estilo de tocar, e também para com nosso nível no saxofone. Se estamos muito no início é melhor optar por um setup mais fácil, se já dominamos o saxofone e temos a embocadura formada, é melhor partir para posições mais ousadas e buscar o timbre que queremos.
Um instrumento mais estudantil possui mais facilidade de afinação, porém, possui um timbre mais genérico, enquanto instrumentos mais profissionais já têm o seu timbre próprio, e são, em muitas das vezes, mais difíceis de se tocar, isso é muito comum.
O que precisamos é saber onde estamos e encontrar um setup equilibrado para nossa produção sonora, que nos permita sem muita dificuldade e dentro da possibilidade de timbre que estamos buscando produzir o som da melhor maneira possível.
O setup influi no timbre, porém, não é a parte mais importante, por isso não deve ser a preocupação dos iniciantes, e sim dos mais avançados que já sabem o que querem de um instrumento, e já têm condições de timbrar dentro daquilo que estão buscando em termos de som de saxofone.
A Regularidade
É preciso desenvolver a memória muscular, não somente dos dedos, mas da língua, da boca, da embocadura, dos voicings, de tudo o que está envolvido no som do saxofone. A memória muscular se desenvolve por repetição, de forma que por um momento pensamos, e depois não pensamos mais para fazer todos esses movimentos.
Quando comecei a ensinar muitos alunos diziam que eu passava muitas técnicas de embocadura, voicings etc. que eram de difícil assimilação, e de fato eles tinham razão. São técnicas que ocupam o máximo de nossa atenção impedindo que nos preocupemos com o som e o fraseado do sax. Porém, são técnicas que se desenvolvem por meio de memória muscular.
Quando o saxofonista perde a regularidade com o instrumento ele certamente terá dificuldades de pensar todas essas técnicas juntas, por isso é preciso desenvolver a automação das mesmas, para poder por meio disso conseguir fazer todos esses movimentos sem pensar, e ter assim, um nível de atenção suficiente para trabalhar o som do sax em todos os seus aspectos.

Regularidade diária
A regularidade de estudo traz isso, a saber, a capacidade de automatizar determinadas técnicas que se perdem se quebramos a regularidade. Muitos saxofonistas não saem do lugar quando tocam o saxofone porque não possuem regularidade de estudo, tudo o que constróem em termos de memória muscular se perde logo em seguida no tempo em que ficam parados. Dessa maneira nunca conseguirão desenvolver todas as técnicas necessárias para um timbre bom no saxofone.
É preciso manter a regularidade de estudo e conseguir assim desenvolver as técnicas de maneira automatizada, o que nos permite espaço hábil de atenção para outras possibilidades sonoras, e assim nos traz o domínio do que fazemos no saxofone. A regularidade é o caminho para automatizar a memória muscular nesse sentido, e assim trazer o domínio de muitas técnicas que seriam impossíveis de se dominar bruscamente de uma hora para outra.
A Afinação
Não é possível agradar com o sax desafinado, tudo pode estar certo, tudo pode estar perfeito, porém, se não tocamos afinado, não dá para ouvir, fica insuportável. É preciso desenvolver o senso de afinação, e esse senso vai muito além do simples comparar com o ponteiro de um afinador eletrônico.

O afinador
O senso de afinação é auditivo, e não visual, é preciso desenvolver a percepção de afinação pelo ouvido, e não pela visão de um ponteiro. Para tanto é preciso fazer exercícios com o saxofone comparando sua afinação com um instrumento temperado como um piano ou um teclado, e aos poucos moldar a afinação em função disso.
É fundamental para o saxofonista tocar afinado. Sem isso fica impossível de agradar, o saxofone precisa ser afinado em sua inteireza, e também nota por nota, pois há instrumentos com notas viciadas nesse sentido que precisam ser afinadas na boca e não apenas na boquilha. Dessa maneira, afinando dessa forma conseguimos vencer uma barreira tremenda no timbre do saxofone que nos permite tocar e agradar em todos os sentidos.
O saxofone se toca afinando, e não afinando com a visão de um ponteiro, mas sim afinando com o som que nos é referência no ouvido, dessa maneira é muito importante para o saxofonista desenvolver o senso de afinação da maneira correta, e assim que ele possa afinar constantemente o seu sax com o playback, com a banda, com a orquestra.
A Imitação das Referências
É preciso buscar o som do sax na sua fonte, e a fonte do som do sax é a história. A saber, os grandes saxofonistas que fizeram parte da história do saxofone e construíram assim o seu frissom, a sua magia. É preciso ter referências dentro dessa história e não somente admirá-las, mas também imitá-las e assimilar o que fazem em todos os sentidos.
Para tanto o conceito de escuta ativa é fundamental. Ou seja, a capacidade de ouvir ativamente, com o instrumento em mãos, e tentando aos poucos, no que nos é possível, emular e imitar o que nossas referências fazem no saxofone. Cada nota, cada trejeito, cada movimento, cada pequeno detalhe, tudo precisa ser assimilado cada vez mais e isso é o que precisamos fazer para evoluir no timbre do saxofone.

Michael Brecker
Aos poucos vamos adquirindo as características de um grande saxofonista, tanto no som quanto no fraseado, tanto na matéria prima do timbre do sax em si mesmo, quanto na modulação desse som por meio de todos os recursos de fraseado que possuímos à nossa disposição.
É preciso imitar as referências e possuir assim, a capacidade de vencer as barreiras do desconhecimento que nos impedem de saber o que é o sax de fato, e o que não é. Dessa forma imitamos, assimilamos, reproduzimos, e fazemos à nossa maneira o que está à nossa disposição na história do sax e de nossas referências.
Todo o conhecimento musical parte em primeiro plano da imitação, sem esse passo não conseguimos adentrar no universo do saxofone de maneira apropriada.
A Respiração Abdominal
Por último quero colocar neste post também a importância de se respirar corretamente no saxofone. É um fator que certamente vai modificar o som de quem toca e respira de maneira errada.
A respiração abdominal se dá pelo inspirar com a boca, pela parte debaixo da boca, e levar o ar para a região inferior do pulmão, expandindo o diafrágma, e colocando os órgãos da barriga em evidência, ou seja, expandindo também o abdômen.
Respirar corretamente, e expirar corretamente o saxofone, com pressão aérea, e não somente quantidade, faz com que o saxofonista consiga produzir um som encorpado, e possa sustentá-lo de maneira a atingir seus objetivos independente da região em que está tocando.
Muitos saxofonistas evitam a região grave ou aguda do instrumento simplesmente porque não sabem respirar e nem expirar o ar da maneira correta. Essa respiração abdominal, controlada pelos músculos do abdômen permite ao saxofonistas produzir dinâmica, expressão, e tudo o mais que é necessário para se livrar do som de iniciante e conseguir um som mais profissional.
Tudo São Fundamentos
São fundamentos que estão dispostos, todos eles, no curso VIVAOSAX BÁSICO, que é um curso que se preocupa com todas as áreas do desenvolvimento musical em conjunto. Ou seja, leitura, ouvido, interpretação tudo isso está contemplado no curso. É preciso se desenvolver em todos esses aspectos, principalmente nos que já tratamos neste post. Para tanto vale a pena dar uma atenção especial para o curso VIVAOSAX BÁSICO, que é um curso que te formará como saxofonista da maneira certa e eficaz.






