O Raciocínio Por Detrás da Improvisação no Saxofone

Compor e Improvisar no Saxofone

Comece entendendo sua improvisação como se ela fosse uma composição. Há sim diferenças entre os dois conceitos, porém, há muitos pontos que, separados, são comuns a ambos, o que faz com que haja, por detrás deles, em certo sentido, um só raciocínio atuando.

É preciso entender e abstrair disso o que é a improvisação e a composição, neste post terei como centro de tudo o que falar a improvisação, pois é nela que queremos chegar nesse momento, falarei da improvisação sob o prisma da composição, que virá para nos ajudar a entender o caminho para improvisar melhor.

Como Começar (os Desenhos)

Todo tema tem um motivo inicial, o qual se desenvolve nesse tema, e depois se coloca na direção de um clímax de tensão, retornando ao relaxamento inicial.

Desenhos com linhas

Podemos entender as frases musicais como desenhos de linhas, quando subimos com as notas para o agudo, a linha vai em diagonal para cima, quando descemos a linha desce em diagonal para baixo, e assim por diante, assim construímos o desenho em meio à estrutura na qual estamos inseridos.

Se estamos tocando em escalas, estamos subindo em graus conjuntos, e descendo em graus conjuntos. Se estamos tocando em acordes, subimos em notas de acorde, e descemos em notas de acorde, podemos misturar as duas coisas, podemos acrescentar intervalos diferentes, mas esse é o nosso trilho, ou seja, a estrutura na qual estamos inseridos que reflete a harmonia da música.

A Importância da Harmonia para o Saxofonista

É importante entender o ritmo da música, e compreender as suas subdivisões e divisões. Dividir o tempo em um, e contar as pulsações é o primeiro passo. Depois notas de dois tempos, notas de quatro tempos. Ir na direção contrária, com notas de meio tempo, de um terço de tempo, notas de um quarto de tempo.

Estaremos encadeados na estrutura da música e na sua subdivisão temporal, para poder assim entrar na música e tocar como se fôssemos parte dela.

Harmonia musical

O desenho é o que está à nossa disposição, o ritmo também, porém, precisamos nos encaixar no ritmo da música, e nosso desenho precisa acontecer dentro da estrutura harmônica desejada.

A harmonia de uma música é um conjunto de notas verticais que soam ao mesmo tempo e que mudam de acordo com o passar do tempo, precisamos conhecer os acordes para sabermos quais escalas e quais acordes podemos usar como estruturas para nossos desenhos.

Compor é Improvisar no Saxofone

A diferença básica de compor e improvisar é que compor geralmente acontece em simultaneidade entre a melodia, a harmonia e o ritmo, já a improvisação é uma composição que já tem harmonia predefinida, e um universo rítmico mais delimitado.

Então, ao começar nossa composição, temos de saber também que compor é mais simples, as frases são mais simples, a simplicidade é a marca de um tema, um tema muito complexo não é um tema que adentra muito no ideário comum.

Já a improvisação é feita para ser mais complexa, as frases são mais complexas, utiliza-se de frases mais longas, uma tessitura maior para as mesmas, e também muito mais recursos de expressão.

Complexidade

Porém, salvaguardando essa diferença de grau, sabemos que compor e improvisar têm as mesmas características e raciocínio. Pois estamos em ambos criando e jogando com motivos, suas confirmações, seus espelhos, suas perguntas e respostas, seu desenvolvimento, seu clímax e suas conclusões.

Obedecendo as estruturas harmônicas, utilizando as escalas certas, e também os acordes certos, ou seja, aqueles que possuem as notas da harmonia no grau correto, podemos começar a criar desenhos.

O Motivo da Improvisação no Saxofone

Surge então a ideia de motivo. Aquilo que dará sentido a tudo o que vamos fazer numa música. Uma ideia inicial musical completa com poucas notas, quatro ou cinco notas no máximo, por meio da qual criaremos frases e desenvolveremos nossa improvisação ou nosso tema, estando na improvisação ou na composição.

Então estamos criando frases sem saber, frases que começam mais curtas e mais simples, e que vão se desenvolvendo para frases mais longas e mais complexas, que se expressam dentro da harmonia e do ritmo da música pressuposta o caso da improvisação. E também estamos criando um tema, quando falamos da composição.

Criação

Os recursos que utilizamos para criar frases nesse meio termo são repetições (confirmações), perguntas (confirmações irresolutas), respostas (aquelas que lembram o que foi dito na pergunta mas que resolvem rapidamente o que foi mencionado), desenvolvimentos (podemos desenvolver por meio de frases que se repetem no início e que desenvolvem para algo novo no final).

E o que mais? Espelhos são bem-vindos, espelhos diretos e antagônicos, ou seja, se subi e desci, agora desço e subo; há ainda a possibilidade de espelhos parciais, só no início da frase, ou só no seu fim, e espelhos que conduzem a outros motivos que por sua vez possuem os mesmos recursos para serem desenvolvidos.

Sobre a Igualdade e a Diferença

A repetição, o que chamamos de menção do que já foi citado, é importante, mas não deve acontecer cem por cento do tempo, é preciso repetir, mas há um ponto do controle do que fazemos que precisamos desenvolver sem lembrar absolutamente nada do que foi feito atrás, esse ponto é o que chamamos geralmente de tensão máxima, ou seja, o clímax.

Nem tudo precisa ser igual, nem tudo precisa lembrar o que foi falado antes, há momentos em que sentimos necessidade de uma confirmação qualquer do que já veio, e há momentos em que se desvencilhar do passado e começar algo novo é melhor, precisamos sentir isso de acordo com a forma da música.

A resolução disso tudo geralmente tende a um relaxamento, esse relaxamento se dá por um retorno ao início, por exemplo, é uma das formas mais comuns de transmitir relaxamento. Retornamos à escala mãe, e se possível até mesmo às notas inicias, ao motivo inicial e fechamos tudo com chave de ouro.

Mais uma vez reitero que não há regras nesse meio tempo, tudo é possível, desde que haja uma história, um raio de coordenação que tenha nexo entre as frases propostas, no tema e na improvisação, fazendo assim, certamente haverá compreensão psicológica do que estamos dizendo em termos de improvisação.

Estes são alguns elementos extraídos do raciocínio que há por detrás de uma improvisação. Na verdade há muito mais do que isso, porém, começando por aí já é possível construir improvisos de altíssimo nível. O ideal é compreender tudo isso e, num determinado tempo, esquecer esses raciocínios e partir para o sentimento puro. Fazendo assim, pensando para não mais pensar, conseguirmos atingir a meta de todo improvisador.

Querendo atingir suas metas na improvisação, é preciso perder vícios, lapidar sua técnica e conseguir assim aplicar tudo isso ao desenvolvimento musical no saxofone. Venha fazer aulas com o professor, e certamente atingirá os seus objetivos.

Daniel Vissotto

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