Nem sempre conseguimos levar o saxofone para todos os lugares que queremos, nem sempre conseguimos tocar o som do saxofone em todos os lugares que estamos, no entando, mesmo sendo assim, é muito comum termos intervalos de tempo os quais podem ser aproveitados para estudo, ainda que não estejamos com o instrumento.
É sobre isto que este post fala, sobre como estudar saxofone, mesmo sem possuir um instrumento em mãos, e conseguir ainda assim um desenvolvimento forte no instrumento, por meio de exercícios que não precisam do saxofone, embora sejam direcionados ao desenvolvimento com ele.
Imaginar-se ao Saxofone
O primeiro desses exercícios é o de imaginar-se ao saxofone. Procurar sentir tatilmente o que o saxofone é mesmo não o possuindo em mãos. Sentir as madrepérolas, as chaves soltas e apertadas, imaginar o instrumento em todos os seus detalhes, o máximo que conseguir e, ainda que com mãos vazias por-se a tocá-lo como se ele estivesse lá.
O saxofone não é um instrumento visual, ele é um instrumento tátil, de forma que quem toca tem de senti-lo em meio às suas mãos. Quando imaginamos um instrumento dessa forma nos familiarizamos com suas diferentes nuanças táteis. Isso é muito importante para quem quer ter cada vez mais intimidade com o saxofone.

Imagine-se Com o Sax
É importante saber onde as chaves estão, qual o seu tamanho, o que vem antes do quê, tudo isso é importante, pois o instrumentista começa a tirar suas dúvidas e familiarizar-se cada vez mais com seu instrumento, de forma a conseguir por meio disso uma intimidade maior com o saxofone.
Procure, enquanto imagina, tocar músicas que conhece, músicas que são de seu repertório, para que assim possa imaginar não somente a parte tátil, mas também o som, e consiga por meio dessa imaginação prever, com as mãos vazias, como se o seu instrumento estivesse em meio a elas, e isso trará uma enorme consciência espacial e musical para você no momento em que estiver novamente com o instrumento em mãos.
Estude Escalas nas 12 Tonalidades
Sim, fazer estudos técnicos, é importante. Mesmo não tendo o saxofone diante de si. Começar pela escala de C maior, visualizar cada detalhes dos movimentos da mão sentir as chaves que não estão lá como se estivessem, e passar pelos 12 tons maiores e menores, isso é um estudo maravilhoso.
Primeiro porque te trará a consciência do instrumento muitíssimo maior, pois se consegue fazer isso sem ele em mãos, imagine quando estiver com o instrumento diante de seus olhos e no tato direto de seus dedos. É importante estudar as 12 tonalidades maiores e menores, conseguir fazer as escalas e saber quais notas está apertando e por quê.
Este exercício vai te abrir um leque de capacidades, tanto para tirar música de ouvido, quanto para ter técnica em meio às escalas. Quem estuda sem o instrumento, e consegue, dessa mesma maneira, fazer os exercícios corretos, como eles realmente são, certamente terá muitíssimo mais facilidade quando estiver com o saxofone diante de si.
Este exercício manterá a sua fluência no saxofone, e trará também muito mais consciência de como o instrumento é, de onde estão as chaves, de como fazer para alcançá-las, e de quais os macetes para mover o que tem de ser movido dentro do corpo do saxofone. Sem dúvida alguma é um ótimo exercício de coordenação motora para o saxofonista.
Treine Respiração Com o Apoio do Diafragma
Muitos saxofonistas não sabem respirar no saxofone, não sabem conter o ar estrategicamente para poder assim ter ar no momento certo, da maneira certa, na quantidade desejada. Treinar respiração certamente será um passo maravilhoso para o saxofonista que quer se desenvolver em todos os sentidos.
Há muitos exercícios que possam ser feitos nessa situação, digo, sem o saxofone. Uma das possibilidades mais interessantes é doutrinar o seu diafragma a funcionar da maneira como tem de ser, ou seja, acostumar-se a usar o diafragma em sua respiração comum, pois assim, quando estiver com o instrumento, a coisa será natural e fácil.

Respiração Diafragmática
Um dos exercícios poderia ser o de inspirar 4 segundos de ar, prender 4 segundos de ar, e soltar 4 segundos de ar. Isso doutrinará sua respiração para que você tenha controle do que entra, e também do que sai em termos de ar. É importante ter esse controle, é importante observar também que toda essa respiração tem de ser feita com o diafragma em movimento.
O que é utilizar o diafrágma? É trazer o ar para baixo, como se estivesse indo para a barriga, fazer barriga mesmo, como se o ar estivesse ali, utilizando os músculos do abdômen para controlar a respiração que faz dentro dos 4 segundos acima. Fazer este exercício e ir aumentando de 4 segundos até 8 segundos.
Isso será maravilhoso para o controle de sua respiração, e facilitará em muito o momento em que estiver com o saxofone em mãos para poder aplicar esta respiração no seu dia a dia com o instrumento. É fundamental para o saxofonista respirar com o apoio do diafragma.
Cantar Escalas e Arpejos
Sim, está provado que quando um músico consegue trazer o que quer tocar para o seu corpo (voz, palmas, pé etc.) ele fatalmente conseguirá trazer isso dentro de pouco tempo para o instrumento. Muitos saxofonistas têm dificuldades de percepção, simplesmente porque não estão acostumados a trazer as notas, frases, exercícios para a voz.
A voz é a referência de que o exercício, em termos de percepção, foi introjetado, e será, dentro de pouco tempo externado no instrumento. Ninguém consegue produzir frases musicais e melódicas sem dantes imaginá-las, pelo menos em parte, dentro de sua cabeça sem o instrumento.
Por isso é importante treinar a percepção por meio do cantar, isso mesmo, cantar as escalas, os arpejos e tudo o que tocamos, inclusive as frases que tocamos. Acostumar a trazer do ouvido para a voz, e da voz para os dedos, e dos dedos para o saxofone com som e tudo.
Conhecer escalas, passa por cantá-las, quem não consegue cantar as escalas, pode até conseguir trabalhá-las, mas terá muito mais dificuldade do que alguém que está acostumado com seu som e consegue externá-las através do canto.
Escuta Ativa da Música
A escuta ativa da música é importante. É importante ouvir grandes saxofonistas, e conseguir, reproduzir suas frases com a voz. O primeiro passo para tirar músicas de ouvido, e conseguir trazê-las para o instrumento é o canto. Se o instrumentista não canta as frases que quer reproduzir fatalmente terá dificuldade para reproduzi-las de fato.
Ponha-se a ouvir saxofonistas de toda espécie, dentro dos estilos que gosta, e comece a reproduzir e decorar suas frases por meio do canto, procurando entender suas articulações, e também acentuações, bem como os ornamentos que são feitos. Ainda que não saiba de cara onde estas frases estão no saxofone.

A Escuta Ativa
O simples fato de você as reproduzir com a voz é meio caminho andado para que, no momento em que estiver com o instrumento, possa reproduzi-las no saxofone como tem de ser. Música tem de ser ouvida com atenção, de maneira ativa. Acuradamente, ouvindo cada detalhe para poder assim extrair o máximo dos grandes mestres.
Leitura de Partitura (Solfejo)
A leitura de partitura faz parte do desenvolvimento do saxofonista. Uma vez que o saxofonista queira se desenvolver por completo, ele precisa saber ler partitura, bem como tirar músicas de ouvido. A partitura se estuda pelo solfejo, mesmo estando sem o instrumento, e é um dos estudos mais eficazes de leitura que podemos ter.
Comece com pequenos períodos de tempo, e com trechos musicais simples, passando aos poucos para trechos mais e mais sofisticados, tudo o que se aprende, se aprende do simples para o sofisticado, e é preciso entender que na partitura também é assim. Conforme vai se desenvolvendo, sem perceber vai ficando cada vez mais afiado na leitura.
Pequenos períodos de tempo, podem ir aumentando aos poucos, pois o ânimo cresce quando conseguimos fazer a coisa como deve ser. Por isso aos poucos, com o passar dos dias, neste estudo mínimo, conseguimos nos desenvolvier sobremaneira na leitura musical. E isso vai nos abrir portas.
Você não faz idéia de como a leitura musical abre portas para os instrumentistas. A verdade é que um instrumentista profissional certamente irá utilizar 80% ou mais de seu tempo lendo na vida musical. E isso será muitíssimo produtivo para ele, ou seja, saber ler é fundamental para o saxofonista que quer sofisticar sua participação no meio musical.
Leitura de Partitura Com os Dedos no Ar
Sim, o famoso exercício de ler partitura com os dedilhados do sax, como se estivesse com o sax em mãos, porém, não estando. Este é outro exercício mágico que um saxofonista poderá utilizar para se desenvolver tanto em termos de técnica de leitura, quanto em termos da leitura em si mesma.
Imaginar-se tocando o saxofone, enquanto lê, com as articulações que lá estão, as acentuações de que dispõe na partitura, entre outras coisas, o mesmo dedilhado, tudo isso vai trazer mais e mais segurança para o saxofonista quando ele está sozinho sem o instrumento.
É importante saber que estudar sem o instrumento, conseguindo imaginá-lo, é um estudo que demanda mais força de imaginação e conhecimento do instrumento do que se você estivesse de fato com o instrumento em mãos.
De sorte que, se conseguir fazer isso sozinho, sem o instrumento, certamente conseguirá com ele, e sentirá um impulso a mais quando estiver com o sax, pois aí, o que era imaginação passará a ser real. A leitura de partituras com os dedos, o que muitos chamam de air playing é algo sensacional para seu desenvolvimento no saxofone.
Transposição
Leve consigo frases escritas de saxofone. Desde as mais simples até as mais complexas, e passe, no dedilhado no ar, a digitá-las, como estão escritas, e posteriormente a tentar, aos poucos transportá-las para outras tonalidades. Esse exercício em especial será maravilhoso para todo saxofonista que quer se desenvolver de fato.
Ao transportar a frase para outras tonalidades você vai se deparar com dúvidas jamais existentes, quanto mais se deparar com essas dúvidas e resolvê-las, mais certo estará de seu instrumento. Quem consegue transportar musicalmente as frases em todas as 12 tonalidades sem o instrumento, quando estiver com o saxofone fará isso sem dificuldades.

Transportar Tons
Mais do que nunca ressalto que o exercício de digitar o saxofone sem ter consigo o saxofone, seja ele de que natureza for, é fundamental para encontrar as dificuldades que não sabíamos existirem em nossa digitação. Aos poucos, conforme as corrigimos e conseguimos dessa maneira nos acertar, estamos entrando num universo de certezas inabaláveis.
É preciso fazer estes exercícios, ainda que você não precise se afastar do saxofone. Pois estes exercícios são fundamentais para o seu desenvolvimento no saxofone, e certamente te trarão possibilidades mil de desenvolvimento que você sequer imaginava existirem.
Caso esteja em uma situação de bloqueio musical, e queira se desenvolver por meio destes e de outros exercícios musicais, indico aulas com o professor, o que certamente te trará um desenvolvimento muitíssimo acima de uma escola tradicional de saxofone, ou um professor de igreja, ou daquele professor de sua cidade na qual não há opção.
Escreva para o professor no WhatsApp (11) 996664420 e veja sobre as vagas, para ter certeza de que poderá fazer suas aulas. Certamente seu desenvolvimento será levado a sério, e seu tempo será aproveitado ao máximo.
Daniel Vissotto





