As Origens
Desde a origem, na música africana, repleta de pentatônicas e microtons, até o ensejo à escravidão, o que fez com que essa música fosse importada para os Estados Unidos da América, e encontrasse assim o sistema tonal europeu, temos que, com a formação do Blues, no fim do século XIX e início do século XX, houve um casamento entre essas duas tradições.
Nos EUA os escravos entraram em contato com os hinos religiosos, os famosos espirituals, e também a música gospel, bem como com marchas, canções folclóricas e outras músicas ocidentais, dando ensejo a surgimento de muitas formas de expressão musical dantes não conhecidas.
Dessa efusão de ritmos e sons surgiu um ritmo que era o resultado da comunhão entre as músicas européias e as pentatônicas africanas, o sistema tonal europeu era incrementado com os ritmos e escalas dos africanos, e isso, musicalmente foi muito rico em todos os sentidos.
Por volta de 1890 e 1910 surgiu assim o blues, a escala pentatônica menor passou a receber uma nota a mais, a chamada blue note, que sem dúvida vinha das influências do canto africano que trazia um som lamentoso, arrastado e expressivo da música africana em meio à tradição européia.
A Blue Note
A blue note nada mais é do que o quarto grau aumentado, ou ainda a quinta diminuta, que, acrescida à escala pentatônica menor, enriquece sobremaneira o som da escala pentatônica, e traz uma impressão de desafinação afinada, uma tensão fortíssima que soa dentro, fazendo assim a escala brilhar ainda mais.
A escala blues nada mais é do que a escala pentatônica menor com a blue note, ou seja: raiz, terça menor, quarta justa, quarta amentada (blue note), quinta justa, e sétima menor. Esta confluência de sons é tão característica do blues que certamente não pode em hipótese nenhuma ser alterada.
Essa escala, com o passar do tempo, passou a ser a base do blues, do jazz, do rock, e também muito da música popular moderna, o que fez com que ela se aplicasse a quase todos os estilos, e soasse muito bem em todos eles, trazendo o efeito mais do que marcante de suas notas e suas dissonâncias bem estruturadas.
Como Aplicar A Escala Blues
Saber de onde vem a escala blues é conhecer sua alma, mas saber como aplicá-la é conhecer sua fala, como ela atinge o ouvinte onde quer que seja imposta. A escala blues não substitui as escalas maiores e menores, ela se soma a elas, e dialoga com elas.

O blues tradicional é o primeiro lugar onde podemos aplicar a escala blues, ela se dá bem com os três principais acordes do blues, a saber, o um, o quatro e o cinco, uma única escala blues é passível de ser aplicada por sobre estes três acordes, sem mais, e ela certamente soará bem.
Entenda que a escala blues é uma escala de tensões, não é uma escala para soar em consonânica perfeita, ela inebria quem ouve, e é mais forte do que a própria constituição harmônica na qual é aplicada, de forma que, com suas tremendas tensões consegue satisfazer inúmeras situações de aplicabilidade.
Sempre que tivermos o acorde maior de sétima menor, e também o menor de sétima menor, ela vai cair bem. Independente de ser uma escala menor, ela se aplica com facilidade tanto em acordes maiores quanto menores, e se dá bem com ambos.
Não é uma questão de tocar notas certas, mas de fazer som com a escala, nesse universo utilizar-se da blue note, e abusar dela é algo fundamental. É preciso saber que a blue note é o coração da escala blues, e que ela é a nota que faz toda a diferença, de forma que ao tocá-la devemos dar ênfase o que estamos fazendo.
A escala blues nada mais é do que uma pentatônica apimentada, ela certamente vai trazer um algo mais para seu improviso, independente do estilo em que esteja, mas principalmente no blues, no jazz e no rock, que são estilos filhos uns dos outros.
Até no samba brasileiro a escala blues pode ser incrementada, em conjunção com outras escalas, como a escala maior, a escala cromática, a escala blues, em alguns momentos é fundamental para a exposição de uma riqueza neste estilo tão peculiar.
Como Aprender a Dominar a Escala
É preciso aprender a escala blues, e para tanto, desenvolvi um volume que certamente veio para ser um divisor de águas no seu aprendizado musical, o PENTATÔNICAS PARA SAX. Nele você terá acesso às principais pentatônicas que são utilizadas no jazz e em toda a música ocidental e oriental.
Terá acesso às formas de como estudá-las, bem como também a playbacks para poder, assim, no final de seus estudos, aplicá-las com facilidade, e enriquecer as principais cadências que as possuem.
O PENTATÔNICAS PARA SAX possui suporte, um grupo no Telegram no qual você poderá fazer todas as suas perguntas sobre o assunto, e também playbacks super legais para poder aplicar as pentatônicas que aprendeu, da maneira como aprendeu.
A escala blues nesse volume é uma escala a mais, uma das principais, e vale a pena saber como estudá-la e como tocá-la para que você possa crescer em termos expressivos no saxofone.
Daniel Vissotto






