Para você que curte um som que mistura jazz, pop, R&B e uma pitada de blues, o saxofonista correto é David Sanborn, o famoso rei do sax alto. David não era somente um músico talentoso, era de fato um guerreiro que transformou obstáculos em grooves incríveis. Venha conhecer através deste post a história deste saxofonista que revolucionou o som do sax alto através do tempo, cuja influência se vê até os dias atuais.
Nascimento e Infância, um Início Cheio de Desafios
David William Sanborn nasceu em 30 de julho de 1945, na Flórida, enquanto seu pai servia na Força Aérea dos EUA. Logo, sua família mudou para Kirkwood, Missouri, um subúrbio de St. Louis. Aos 3 anos de idade, ainda pequeno, David contraiu pólio – uma doença cruel que atacou seus pulmões, um braço e uma perna, deixando-o confinado a um pulmão de ferro por um ano inteiro.
O que poderia salvá-lo? No rádio ele ouvia rock’n’roll, como Fats Domino, e Little Richard, e ficava hipnotizado pelos solos de sax que apareciam nas gravações. Aos 11 anos, os médicos, diante das dificuldades de David, recomendaram o uso de um instrumento de sopro para fortalecer os pulmões, e aí nasceu o amor pelo saxofone na vida deste verdadeiro herói.
David praticamente transformou uma fraqueza em superpoder, ele superou a pólio o suficiente para poder tocar, provando que obstáculos podem virar uma espécie de combustível criativo. Na verdade, ele começou no piano, mas depois mudou para o sax. Confira este clipe inspirador de David falando sobre suas raízes em St. Louis e como a música o salvou, em uma entrevista recente (antes de sua morte):
O Despontar de um Talento: De Woodstock aos Hits de Sessão
David estudou música na Northwestern University e depois na University of Iowa, com o saxofonista J.R. Monterose. Nessa época ele lidava ainda com sequelas da pólio – possuía um braço esquerdo mais curto, respiração fraca – mas usava isso a favor da criação de um som único, cheio de bends bluesy e tons divididos que emocionavam. Isso provava que a música tem o poder de curar.
Em 1967, David foi para San Francisco no Summer Of Love e se juntou à Paul Butterfield Blues Band gravando quatro álbuns e tocando no Woodstock Festival em 1969, no maior evento de rock da história. Depois disso, nos anos 70, conseguiu participações com Stevie Wonder (1972), David Bowie (1975) esta no qual o seu solo ficou icônico em “How Sweet It Is” de James Taylor (1975). Seu primeiro álbum solo foi Takin Off (1975), no qual misturou jazz e funk, solidificando uma fama já consolidada.
Nessa época ele deu asas à sobriedade (parou de beber) e o foco na música o ajudou a brilhar, há quem diga que ele colocou de volta o saxofone no rock’n’roll, e essas sessões o colocaram no mapa da fama, tocando em arenas e estúdios com gigantes.
O Auge da Carreira: Grammys, Álbuns de Ouro e Smooth Jazz
Nos anos 80 e 90, David explodiu como uma verdadeira febre no sax alto: álbuns como Hideaway (1979), Voyeur (1981 – Grammy), Straight to the Heart (1984 – Grammy ao vivo) e Double Vision (1986 – Grammy com Bob James) viraram ouro e platina.
Ele ganhou 6 Grammys no total, com 8 álbuns de ouro e um de platina. Praticamente tocou com todos os músicos relevantes de sua época: Eagles (“The Sad Café”), Bruce Springsteen (“Tenth Avenue Freeze-Out”), Sting, Rolling Stones, Aretha Franklin, Elton John, e a lista segue infinita. Foi à TV, fez turnês mundiais, incluindo Japão e África.
Foi membro da banda do Saturday Night Live em 1980, e aparecia também no Late Show com Letterman. Nessa época ele fazia mais de 150 shows por ano, ainda que tivesse a saúde frágil.
Seus clássicos dominaram as rádios, “Chicago Song”, Maputo (de Double Vision, 1986 com Bob James). David ficou famoso no meio musical por seu som “searing” (abrasador) e versátil, colaborando em hits que vendiam muito, na verdade milhões.
Morte e Legado: A Batalha Final
David foi diagnosticado com câncer de próstata em 2018, mas continuou tocando até o fim – chegou a ter shows marcados até 2025. Morreu em 12 de maio de 2024, em Tarrytown, Nova York, aos 78 anos, de complicações da doença. Lutou por seis anos, mantendo o otimismo e a música viva. Um tributo em novembro de 2024 reuniu estrelas como Marcus Miller e Bob James.
David nos lembra que a música pode ser a vitória daquele que enfrenta batalhas mil, a música como superação, meio de se viver bem e conseguir superar problemas.
E você? Já está inspirado a ter resiliência e capacidade de vencer como David? Se você quer transformar sua própria jornada musical, quem sabe até superar uma dificuldade com o sax em mãos, marque uma aula com o professor, vamos tocar juntos e honrar esse legado.
Daniel Vissotto





