E depois de parado, o que fazer?
Como voltar ao saxofone depois de meses parado? Muitos de nós já paramos de tocar saxofone por um tempo, isso não é exceção, mas regra na vida de todos nós. É muito difícil para um saxofonista manter a produção e a regularidade todo o tempo, em toda a sua jornada musical com o sax.
A pergunta que fazemos é: o que fazer depois que, vindo de um estudo intenso, paramos por mais ou menos três meses o saxofone por motivos de força maior? Quais os passos a serem seguidos e, dentro deles, há esperança de voltar à produtividade máxima?

A parada do saxofonista
Sim, esta é uma pergunta feita por muitos, você mesmo que deve estar lendo este post já parou por algum tempo em algum momento de sua jornada, isso se não ocorreu mais de uma ou se ainda não ocorre muitas paradas no seu processo de estudo.
Por isso escrevo este post, eu já parei, por mais incrível que pareça eu já parei de estudar por mais de três meses alguma vez na minha jornada, e sei bem o que é voltar a tocar depois de tanto tempo sem produzir no saxofone.
O que sentimos com a parada
A primeira coisa que sentimos é um impacto inicial, ou seja, de fato, o saxofone é um instrumento muito melindroso para que paremos três meses e nada venhamos a sentir, sentimos, sentimos e muito no saxofone as paradas. Aliás, uma semana parados já é motivo de um impacto grande, imagine três meses.
O que importa nesse momento é que reconheçamos que o saxofone é como uma atividade física, como correr, por exemplo. Ninguém que vinha treinando forte e fazendo dez quilômetros a cinquenta minutos pode parar três meses e, do nada, voltar a fazer dez quilômetros a cinquenta minutos. Isso não é possível.

Atividade física
É preciso um tempo de readaptação para que consigamos reassumir de onde paramos, e esse tempo de adaptação muitas vezes é mais demorado do que pensamos. A primeira coisa que tentamos é voltar do nada a tocar, mas logo sentimos o som arruinado, o dedilhado mais lento e incapaz, as idéias impossíveis de se concretizar etc.
O impacto inicial é de desânimo, tristeza e arrependimento. Parece que simplesmente desaprendemos a tocar, e isso é muito difícil para quem está aprendendo, ou seja, voltar atrás e ter de recomeçar novamente tudo o que fazia antes com facilidade.
Uma boa notícia é que, estando parados estamos também evoluindo. Por incrível que pareça a cabeça continua funcionando embora os dedos e a boca não trabalhem o saxofone, de forma que as concepções mentais do saxofone se desenvolvem nesse momento, por incrível que pareça.
Outra boa notícia é que, por mais que tenhamos regredido, a volta para o nosso posto de antes da parada, é muito mais rápida do que aprender tudo novamente, o reaprendizado é rápido, e você volta com um impulso superior do que vinha antes.

Impulso rápido
O que fazer?
Por mais rápido que seja, esse retorno exige determinados cuidados. O primeiro deles é fazer uma pequena revisão no instrumento antes de voltar. Sim, certificar-se de que, em havendo problemas com o som, ou com o dedilhado do sax, esse problema não diz respeito ao instrumento, mas ao seu momento com ele.
Escolha uma palheta mais leve, pois quando a embocadura estiver menos tonificada, é interessante começar com uma palheta mais leve para não forçar demais a musculatura do rosto, e assim conseguir produzir os primeiros sons com mais facilidade.
Diminua drasticamente o tempo de estudo que vinha fazendo antes de parar. Se você chegava a tocar três horas por dia, neste momento você deve diminuir drásticamente essa dose de estudo diário para pelo menos um máximo de quinze minutos por dia. Por mais disposto que esteja a estudar, seja comedido no início para não se machucar no final.
Ainda quanto ao tempo de estudo, vá aumentando aos poucos de três em três dias, para poder assim, com cinco a dez minutinhos a mais ir incrementando seus estudos com mais e mais tempo de contato com o instrumento.
Tenha humildade no início, não queira que seu som arrebente de uma hora pra outra, pelo contrário, paciência e humildade são fundamentais, o som não voltará de uma hora pra outra a ser o mesmo ou melhor, será, de fato, mais rudimentar, e está tudo bem com isso, é normal de se esperar que depois de uma parada de tamanho calibre isso aconteça.
Ao tocar, procure exercícios de sonoridade, começando com a boquilha sozinha, depois o tudel, e por fim o instrumento em notas longas. É preciso entender que há um preparo físico que precisa ser feito para que o saxofonista consiga dar conta do tempo de estudo com maestria. E esse preparo é feito por meio de exercícios de sonoridade.
Procure tocar músicas simples e fáceis, baladas, standards lentos, bossa leve, toque pelo menos uma música que já domina, e procure se manter nela, para poder assim, devagar, ir ousando algo novo. Não parta para algo novo de cara, é preciso recuperar o que ficou para trás.
Volte a ouvir saxofone com frequência, pois o padrão sonoro do saxofonista advém do que ele ouve, se você não ouvir saxofone perde o padrão sonoro do instrumento, é preciso ouvir os seus saxofonistas preferidos, e muitos outros, para voltar a compreender o som verdadeiro do sax e conseguir assim, aos poucos se aproximar novamente dele.

Gravar-se ao saxofone
Grave-se desde o primeiro momento, faça gravações diárias, e sinta, por meio delas o seu desenvolvimento diário acontecendo. Isso é perceptível, principalmente nessas situações de parada e volta, porque o ritmo de rendimento no saxofone aumenta com o passar dos dias, muito mais rápido do que se estivesse aprendendo pela primeira vez, e a gravação ajuda a você se animar com aquilo que faz.
O fator surpresa
Aos poucos, lentamente, vá reassumindo os estudos antigos, e quanto menos esperar estará conseguindo tocar como antes, com o amadurecimento de sua cabeça, o que fará com que volte numa posição ainda superior.
Esse fator é sempre uma surpresa, pois ao parar pensamos que regredimos pura e simplesmente, embora isso aconteça com as mãos e a boca, o pensamento continua progredindo, e ao recuperar a parte mecânica do saxofone, teremos a maravilhosa percepção de que evoluímos ainda mais com o amadurecimento dos pensamentos a respeito da música.
Caso você tenha parado e queira retornar, indico o curso VIVAOSAX BÁSICO como um meio de retornar do zero, e rever conceitos para poder assim, se desenvolver corretamente desde o início. Porém, se quiser um acompanhamento mais direto e de efeitos mais imediatos, indico aulas com o professor, que certamente saberá planejar seus estudos para que possa vencer as suas dificuldades.
Daniel Vissotto





