O que é Improvisar
Improvisar não é tocar qualquer nota aleatoriamente, a improvisação é a arte de criar música em tempo real, respeitando um contexto harmônico, rítmico, estilístico. É como uma conversa musical espontânea, onde você cria melodias no momento, em vez de seguir uma partitura fixa.
Seria o mesmo que criar uma mensagem que se enquadra num contexto, essa mensagem possui frases e clichês que já conhecemos ou que criamos instantaneamente, produzindo uma história com começo meio e fim, perguntas, respostas, desenvolvimentos, clímax e conclusões.

Criatividade
Para tanto, é preciso estar em dia com os caminhos musicais, como quem tem trilhas bem definidas por onde caminhar numa floresta, é preciso ter, pelo menos, as estruturas básicas bem definidas para poder assim se locomover em meio à história que está sendo criada.
Sendo mais direto, a improvisação é o momento em que o músico afirma a si mesmo dentro da música, como se opinasse com suas próprias impressões o que pensa do que está sendo falado, é o momento da liberdade, em que o músico se projeta acima de tudo e assume a forma de uma melodia, um pouco mais complexa, na qual ele se realiza.
Como Começar a Improvisar
É preciso definir e compreender algumas coisas antes da improvisação. Primeiro de tudo a visão de toda a tessitura do saxofone, não prender-se à região central do instrumento como muitos fazem, conseguir tocar com desenvoltura em todas as regiões, para poder assim enxergar o tamanho real do saxofone e ter como se expressar em meio a isso.
Para tanto, é preciso fazer escalas e arpejos em toda a extensão do saxofone, desde o mais grave até o mais agudo, dominando assim os graves, os médios, os agudos e também, se conseguir, os superagudos, pois isso fará com que a expressividade do saxofone aumente sobremaneira.
Depois disso, começar por estruturas harmônicas simples, como uma tríade e uma pentatônica, brincando com as mesmas, sem compromisso de acertar, perdendo o medo de tocar, o que fará com que você consiga encaixar notas na harmonia em questão. Isso aos poucos começará a se transformar em frases seguras, nas quais haverá a confiança de se encaixar as notas no lugar certo.
Aos poucos, ir expandindo os acordes da harmonia na qual está improvisando, começar por um só acorde, depois dois, depois um 2 5 1, e partir para progressões harmônicas cada vez mais complexas, até conseguir improvisar sobre um tema simples, com suas escalas e suas harmonias próprias.
É Preciso Conhecer As Estruturas
É preciso treinar as estruturas básicas de diversas formas, com diversos padrões melódicos, rítmicos, e também de articulação. Isso fará com que você ganhe confiança ao externar as melodias mais simples até as mais complexas, produzindo no início pequenas frases, e ampliando aos poucos essas pequenas frases para frases mais e mais sofisticadas.
As estruturas básicas são as escalas mais utilizadas (maiores, menores, pentatônicas, modos gregos, e escalas mais exóticas, não são muitas escalas, com algumas dessas escalas você já pode construir improvisos bem evoluídos) e também as tríades, tétrades e extensões.
É preciso saber como estudar essas escalas, e esses arpejos, por isso desenvolvi um material eficaz que ajuda todo estudante de saxofone a se desenvolver nessas estruturas, que são os EBOOKS VIVAOSAX, por meio dos quais você encontrará uma verdadeira academia de exercícios para praticar e se desenvolver.
Outra coisa importante para improvisar é conhecer frases, e seu contexto harmônico, ou seja, em qual cadência harmônica elas são aplicadas. Os EBOOKS VIVAOSAX possuem muitas frases também, o que facilita a introdução nesse tipo de estudo. Saber as estruturas básicas e ter um hall de frases das quais dispor para tocar é fundamental para o desenvolvimento de um saxofonista na improvisação.
Conscientize-se da Harmonia
É preciso que você estude a harmonia na qual pretende se encaixar. Até é possível você se encaixar bem numa harmonia se depender exclusivamente do ouvido, porém, aconselho fortemente que você sempre estude as harmonias nas quais pretende improvisar. Desde as mais simples (com um ou dois acordes) até as mais complexas (temas sofisticados).
É importante entender para onde as harmonias seguem, quais as notas que estão soando, e qual o caminho a seguir para poder em meio a isso expressar suas frases. Estudar um 251 em todos os tons é fundamental, e há outras cadências importantes como por exemplo 1345, 1625 e assim por diante.
As músicas em geral repetem muito suas harmonias, de forma que quando você começa a conhecer profundamente as cadências mais manjadas, a coisa começa a ficar mais e mais fácil, de forma que você pode assim se soltar com mais confiança e certeza, e criar frases com mais segurança.
Depois das cadências mais utilizadas, é interessante começar a decorar músicas. Mas não é simplesmente decorar sinais de uma partitura, e sim introjetar a música, desde sua melodia, seu ritmo, e também sua harmonia por meio, principalmente, da percepção. Desenvolver percepção dessa forma, introjetando músicas, é fundamental.
Transcreva Saxofonistas Para Pegar Linguagem
Como coloco com frequência em meus escritos, é preciso desenvolver linguagem musical, a linguagem do estilo, a linguagem do saxofone, a linguagem da música que vamos tocar, a linguagem dos saxofonistas, e por fim a nossa própria linguagem. Tudo isso é importante.
É preciso separar alguns saxofonistas que tocam os estilos de música que gostamos, saxofonistas que admiramos e que são verdadeiramente reconhecidos internacionalmente no saxofone, e poder, por meio de momentos de suas apresentações transcrever, sem escrever em partituras, mas só de ouvido, seus solos e também interpretações.

Saxofonistas
É interessante extrair desses saxofonistas a linguagem dos ornamentos, dos efeitos, da articulação, e das frases em geral, só assim, prestando atenção a essas linguagens, por meio de gravações de grandes saxofonistas é que conseguiremos imergir no universo do saxofone e expressar esse instrumento de maneira satisfatória.
Extrair frases também é importante, observe momentos em que as frases desses saxofonistas são acessíveis, e extraia as mesmas para todas as tonalidades, aumentando seu vocabulário musical. Primeiro extraia a frase, depois entenda a cadência harmônica na qual ela está inserida, até mesmo porquê uma frase sem harmonia não significa nada.
Comece por Frases Curtas e Simples
Frases de uma, duas, três notas possuem o mesmo efeito de frases de cem notas, dependendo da maneira como as empregamos na música. Como dizia Miles Davis: “não se preocupe em tocar várias notas, toque uma só, bem bonita.” Aos poucos, naturalmente suas frases vão se ampliando e conseguindo contexto com uma maior sofisticação.
Considero até interessante começar por frases que se encaixam na harmonia da música, em primeiro plano, depois passar para as escalas. Primeiro a raiz, extraindo tudo o que ela pode oferecer; depois a raiz e a terça; e ainda depois a raiz, a terça e a quinta e assim por diante. Incrementando o hall de possibilidades.
Quem não sabe improvisar com poucas notas, e frases pequenas, de maneira nenhuma conseguirá improvisar com muitas notas e frases grandes. O que importa não é o grau de dificuldade daquilo que você faz, mas o sentimento expresso no que foi feito, independente de isso ser simples ou complexo.
Começar a improvisar por notas de acorde, e depois pelas escalas em si, é um caminho seguro e bem delimitado, que vai fazer com que o músico se desenvolva dentro da harmonia, e consiga assim, depois disso aplicar frases complexas, criar desenhos interessantes, e se desenvolver em meio a harmonias esotéricas.
Crie Narrativas no que Faz
Pense na improvisação como a criação de uma narrativa: introdução (frases simples e espaçadas), desenvolvimento (variações, espelhos, perguntas e respostas), posterior clímax (uma nota aguda, uma frase complexa, a mensagem para a qual você conduz toda a sua improvisação), e conclusão (o relaxamento final, e o retorno, se possível, para a tônica).

Criar Histórias
Comece calmo, com notas mais graves e frases mais simples, pense num discurso com a fala, vá trazendo tensão aos poucos, e atinja um ponto de grandiosa tensão, que é o clímax, do qual você partirá aos poucos para um relaxamento final, sua conclusão.
Grave muito você mesmo tocando, veja diariamente seu desenvolvimento de frases aleatórias passando aos poucos para frases mais e mais coesas. Isso vai sem dúvida nenhuma desbloquear sua criatividade, e fazer com que você produza mais e mais música, improvisação e a magia do saxofone.
Daniel Vissotto






