A Música Como Linguagem
Muitos músicos não sabem como formar frases com arpejos e escalas no saxofone. Este post vem para ajudá-los a se localizar nesta busca.

Linguagem Falada
Primeiro de tudo precisamos saber que frases musicais são como jargões, quando você adentra um novo país com uma nova língua, precisa se interar dos jargões do dia a dia, das frases que são utilizadas no cotidiano das pessoas. Com licença, por favor, etc. Frases mágicas que podem abrir portas, e conceder privilégios.
É preciso ouvir para conhecer, logo, quando você vai aprender o jargão do estilo no qual quer fazer frases, precisa se interar do que pode e não pode fazer, do que é usual e o que não é usual, pois como a fala, a música é uma comunicação e essa comunicação tem suas gírias, suas palavras mágicas.
Muitos músicos de saxofone querem aprender saxofone sem ouvir música, o que é um contrasenso muito grande, pois não se aprende a falar sem ouvir, não há criação em certo sentido, mas absorção de tudo aquilo que já é dito.
Ninguém aprende o inglês se trancando num quarto e criando a língua inglesa do nada, ninguém aprende a tocar saxofone apenas soprando o instrumento sem saber de onde vem o som, e para onde vai, é preciso ouvir a linguagem do saxofone, dos estilos, para saber o que tocar e como.
O Professor
Nem mesmo é o professor que diz isso, pois depender só do professor é algo doentio, o bom professor não ensina a depender, mas a libertar o aluno, de forma que é, definitivamente, preciso ouvir saxofone para aprender a tocar saxofone, é preciso ouvir os estilos para entender o palavrado que é falado neles.

O Professor
Muitos professores ensinam a depender, mas não é esse o papel do professor, e sim o de guiar o aluno naquilo que ele quer conseguir, se porventura o aluno não sabe o que quer, o professor pode ajudar a dar-lhe possibilidades, mas nunca deve guiar o aluno para si mesmo, e sim para a liberdade e a capacidade de tocar livremente.
Arpejos, Escalas e Frases
Criar frases depende de saber como utilizar arpejos (intervalos, tríades, tétrades e extensões) e escalas (todas as escalas cabíveis no estilo em questão), além de utilizar também frases para criar frases, sim, adaptando-as e modificando-as de acordo com a necessidade harmônica ou o sentido desejado naquilo que o músico faz em sua construção frasal.
É preciso saber fazer a junção, a combinação e a permuta das escalas, arpejos e frases, e também de escalas e arpejos em si mesmos. Para tanto é preciso conhecer a fundo o sentido desses conceitos e para isso vamos especificá-los logo mais.
Antes de mais nada é preciso saber o que é um motivo. Um motivo é uma idéia musical plena, geralmente curta, de quatro ou cinco notas, por exemplo, que forma uma intensão melódica a ser desenvolvida na sua improvisação. Sabendo o que é o motivo vamos passar para o conceito de junção.
Jungir é o mesmo que juntar, por exemplo, pegar uma escala maior e juntá-la em um trecho com uma escala cromática, isso é uma junção, fragmentar a escala maior e a escala cromática, e jungir as duas numa só execução. Isso já é uma frase. O simples ato de pegar uma estrutura pura e jungi-la com outra estrutura já produz o efeito de uma frase.

Diferentes Combinações
Essa junção pode se dar por meio também de uma escala e um arpejo, ou vice-versa, dependendo do motivo que está sendo desenvolvido. Começamos por uma escala cuja nota alvo é a nota do acorde, e ao atingir essa nota descemos a escala que subia por meio de um arpejo. Isso também forma uma frase.
As possibilidades são infinitas, e estamos falando somente de jungir as escalas e arpejos em diferentes combinações. Combinar significa exatamente fazer o que estamos fazendo juntando de diferentes formas, combinando as estruturas de forma a produzir sentido musical em meio ao desenvolvimento de motivos, com perguntas e respostas etc.
Depois de saber combinar as estruturas e as frases e também jungi-las, é preciso entender o conceito de permuta. Permutar significa também combinar, só que em todas as possibilidades possíveis.
Enquanto a junção se dá em meio à combinação de estruturas, a permuta é aquilo que combina de diferentes formas as notas da estrutura, e também as próprias estruturas, formando diferentes ângulos de possibilidades frasais.
A Permuta
Por exemplo, pegar uma escala, e fazê-la da maneira de um pula um volta um, ou seja, por exemplo na escala maior, DO MI RE FA MI SOL FA LA etc. é uma maneira muito eficaz de disfarçar a estrutura de forma musical sem deixar o rastro de um exercício.
Há inúmeras maneiras de permuta das notas das estruturas, e também das próprias estruturas, e tudo isso são frases. Tudo isso são, se usados de maneira musical, frases que podem ser utilizadas na improvisação e na música em geral.
Uma coisa que alerto é que é preciso sempre estar variando, a música é um conglomerado de variações, e a variação traz a naturalidade para aquilo que fazemos, na natureza não há uma só folha de árvore sequer igual à outra, de forma que precisamos encontrar uma gama grande de variações.
Outra coisa que é importante é dialogar entre as frases, ter algo lembrando o que foi, o que é, e o que será naquilo que tocamos, um nexo, que possa assim produzir uma história na música que queremos efetuar.
Para tanto, buscando o desenvolvimento máximo nestas e em outras técnicas, desenvolvi o trabalho de dois ebooks que podem ser utilizados em conjunto, que são O DICIONÁRIO DAS TÉTRADES PARA SAX, e também o ESCALAS MAIORES E MENORES PARA SAX. São trabalhos fundamentais para quem quer fazer frases com escalas e arpejos.
Vale a pena considerar essas obras.







