John William Coltrane nasceu em 23 de setembro de 1926, em Hamlet, na Carolina do Norte, Estados Unidos, filho de John Robert Coltrane, um alfaiate e músico amador, e Alice Blair Coltrane. Filho de uma família profundamente religiosa, o que influenciou sua visão espiritual da música mais tarde na vida.
O ambiente em que nasceu
Cresceu num ambiente modesto, cercado por blues e gospel, gêneros que influenciaram sua sensibilidade musical inicial. Aos 12 anos, em 1938, Coltrane sofreu uma série de perdas devastadoras: seu pai, avô, avó e tia faleceram em um curto período, deixando a família em dificuldades financeiras e emocionais. A música se tornava assim um refúgio para Coltrane, começando no clarinete, e depois no saxofone alto.
O talento de Coltrane tomou forma na adolescência, e início da vida adulta. Em 1943, aos 17 anos, mudou-se para Filadélfia, onde mergulhou na cena do bebop local, estudando na Ornstein School of Music, e no Granoff Studios, e interagindo com músicos como Jimmy Heath e Benny Golson.
Já em 1945 alistou-se na marinha, isso durante os últimos dias da Segunda Guerra Mundial, tocando saxofone alto em uma banda naval no Havaí até 1946. Ao retornar continuou os seus estudos musicais e trocou para o saxofone tenor, em 1947.
Nos anos seguintes trabalhou como músico de apoio em bandas de Eddie Vinson, Dizzy Gillespie, Earl Bostic e Johnny Hodges, gravando seu primeiro solo em “We Love to Boogie” de Gillespie, em 1951.
Infelizmente, nessa época John se envolveu com o vício em heroína, que durou até 1957, afetando sua carreira e levando a demissões, como a de Miles Davis em 1957. Sua recuperação marcou uma virada espiritual, inspirando-o a ver a música como uma força que o conduzia ao bem.
Sua consagração
A consagração de Coltrane veio na década de 1950 e 1960, quando ele se tornou uma figura icônica do jazz. Após se juntar ao quinteto de Miles Davis em 1955 (e retornar em 1958), contribuindo para álbuns modais como o Milestones (1958) e Kind Of Blue (1959). Nesse ano, aos 33 anos de idade, lançou o Giant Steps o que demonstrou sua maestria harmônica.
Depois disso, formou seu quarteto clássico em 1960, com McCoy Tyner (piano) e Jimmy Garrison (baixo) e Elvin Jones (bateria), gravando o clássico “My Favorite Things” (1961), uma versão modal de 14 minutos que popularizou o saxofone soprano.
Seu álbum A Love Supreme foi composto após o nascimento de seu primeiro filho e incluiu um poema escrito por ele no encarte, tornando-se seu trabalho mais vendido e influente, com temas de gratidão divina.
Nos anos finais, explorou o free jazz com álbuns como Ascension (1965), influenciado por músicas indianas e africanas, e colaborou com sua esposa Alice Coltrane, que se juntou à banda em 1966.
Coltrane praticava incessantemente, muitas vezes tocando escalas até durante intervalos de shows, e pagou aulas a Ornette Coleman, apesar de ser um mestre estabelecido. Sua influência transcendeu o jazz, impactando também o R&B, uma foto sua tirada por Jim Marshall, foi exibida na Casa Branca pelo presidente Barack Obama, que se declarou fã.
Gente como a gente
Fatos curiosos também passaram pela vida de Coltrane, mostrando que ele era “gente como a gente”, com dúvidas e incertezas, com dificuldades e facilidades. John já era considerado um gênio do jazz, mas mesmo assim se manifestava extremamente inseguro sobre sua própria técnica por muitos anos.
Mesmo depois de profundamente reconhecido praticava obsessivamente, de 10 a 12 horas por dia, pois sentia e achava que não era bom o suficiente. Há relatos de músicos e amigos dizendo que ele chegava a chorar de frustração durante ensaios quando não conseguia executar exatamente o que queria.
Por detrás do mito, havia um ser humano comum, enfrentando demissão (Miles Davis), vício, e crises pessoais, fontes como o livro de Lewis Porter “John Coltrane: His Life And Music” (1998), mostram claramente esse ser humano, em busca do divino, que via na música uma forma de divulgar o bem.

Livro sobre Coltrane
Coltrane faleceu em 17 de julho de 1967, aos 40 anos de idade, em Huntington, Nova York, vítima de câncer de fígado, possivelmente agravado por anos de abuso de substâncias e hepatite. Ele continuou a se apresentar e gravar até semanas antes da morte, deixando um legado e 25 álbuns como líder e uma influência duradoura no jazz e além.
Para você que se sente inseguro, como o mestre Coltrane, a respeito de suas apresentações, aconselho que leia o post Como Perder o Medo de Tocar em Público, e procure muito preparo, lembrando sempre que a mentoria do professor é uma ótima opção nesse sentido.
Daniel Vissotto





