Não há revolução maior do que a que estamos vivendo neste momento no mundo, a revolução da inteligência artificial. Este post trata de como podemos entender essa revolução e de como ela impacta no meio musical, no mercado fonoaudiológico, e tudo o mais. Este é um assunto amplo, delicado e extremamente complexo que vem redesenhando a relação humana com a música em todas as suas camadas.
Atingindo o topo
Pela primeira vez na história, em 2025 canções inteiramente geradas por IA alcançaram o topo das paradas mundiais. Um marco emblemático ocorreu em novembro, quando uma faixa criada com ferramentas como o Suno ou Udio chegou ao #1 no Billboard Hot 100, a saber, “Walk My Walk”, sem grande alarde do público, o que sugere aceitação crescente. Isso é assustador por um lado e empolgante por outro.

Topo das paradas
Antes disso a faixa “Heart On My Sleeve”, uma faixa falsa com vozes de Drake e The Weeknd já havia acumulado milhões de streams no Spotify, forçando as plataformas a removerem o conteúdo por questões de direitos autorais. Porém, o que aconteceu em 2025 elevou isso a outro nível, há, por exemplo, playlists no Spotify dedicadas a AI music 2025 que misturam rock, EDM, pop, rap, que acumulam milhões de plays.
Estudos como os da Deezer e Ipsos revelam que 97% dos ouvintes não distinguem músicas de IA com músicas humanas em testes cegos, o que explica a viralização dessas faixas no TikTok, por exemplo. O mercado, paradoxalmente, ao invés de combater as IAs estão as abraçando como uma oportunidade de “aumentar a criatividade dos artistas”. Porém, isso impacta na produção musical como o início do fim para muitos talentos emergentes sem suporte criativo.
Facilidade de produção
Dentre os fatores que tornam isso um ponto seríssimo a ser deliberado, está a facilidade de produção, ou seja, qualquer um pode ser um produtor. Antigamente criar música exigia a presença em estúdios caros, anos de treinamento, e equipes inteiras de engenheiros. Hoje, ferramentas de IA como Suno, Udio, e Loudly permitem gerar canções completas, com letras, melodias, vocais e arranjos, a partir de um simples prompt de texto, algo do tipo, “uma balada pop sobre amor perdido no estilo Adele”.

Produção Musical
Estas plataformas produzem faixas de qualidade em minutos, com opções de customização, em tempo real, como remixes separados para integração em DAWs (estações de trabalho de áudio digital como o Logic, Protools etc.). Para os iniciantes isso é revolucionário, mas o impacto global é duplo: acelera a produção em massa reduzindo custos para as grandes gravadoras, porém, diminuem drasticamente o salário de produtores humanos, com a previsão de que 30% dos trabalhos em composição sejam automatizados até 2030.
Clonagem de vozes
Uma das coisas mais disruptivas dentre esses fatos é a clonagem de vozes. Em 2025 é algo de trivial imitar a voz de grandes cantores, ferramentas como KITS.ai ou LALAL.ai capturam amostras de áudio, mesmo que curtas, e geram vocais hiper realistas, permitindo covers de cantores famosos, em músicas de break up geradas por IA. É comum se deparar com revivals de Michael Jackson em faixas inéditas.

Michael Jackson
O custo é quase nulo, pois ferramentas gratuitas como SOUNDRAW oferecem distribuição imediata para Spotify, enquanto opções pagas custam frações de um estúdio tradicional. De certa forma, isso “democratiza” a criação, pois amadores em qualquer parte do mundo podem lançar hits globais. Porém, e sempre tem um porém, inundam as plataformas de conteúdos de baixa qualidade, tornando mais e mais difícil para artistas emergentes se destacarem.
O impacto disso tudo no mercado musical
O impacto disso tudo no mercado global é exponencial, o mercado de músicas feitas por IA deve crescer de forma dramática nos próximos anos, com conteúdos sintéticos representando uma fatia crescente das receitas, porém, ameaçando criadores humanos. Países como EUA e o Reino Unido acaloram debates sobre royalties para IA. A verdade é que 12% dos criadores já usam IA como co-piloto, mas 8% temem perda de muitos empregos.

IA como copiloto
Antigamente as gravações eram o coração da indústria musical, porém, hoje em dia estão sendo revolucionadas por conta desses fatores. As IAs automatizam mixagem, masterização, e edição, reduzindo custos em até 80% e permitindo colaborações remotas globais. A IA é ambígua, ferramentas de Feedback assistido por IA melhoram treinamentos vocais de cantores em acensão, o risco que se tem é a dependência cada vez maior, pois cantores clonados podem pular os treinamentos reais, impactando o mercado, enquanto que músicas de IA evocam emoções semelhantes às humanas em contextos audiovisuais, no entanto, desprovidas de “alma”. Afinal de contas a IA é parceira ou uma ameaça à formação vocal?
O saxofone e as IAs
Saxofonistas também podem ser imitados por IA, sobretudo no resultado sonoro. Modelos de IA já conseguem analisar as gravações de um instrumentista específico e aprender padrões como timbre característico, uso de vibrato, articulação (legato, staccato, ghost notes) escolhas rítmicas recorrentes, tipo de ataque e liberação das notas, linguagem harmônica típica, intensidade e dinâmica média.

O saxofone feito por IA
Com material suficiente, a IA consegue gerar frases e solos que soam como “no estilo de” determinado saxofonista. Para o ouvinte comum, e até para músicos, isso pode ser bastante convincente, especialmente em contextos comerciais, trilhas, backing tracks ou músicas pop. Você já pode criar um saxofonista virtual para tocar suas músicas.
Em suma, a IA não está apenas mudando a maneira como a música é feita, de fato, ela está questionando o que entendemos por música, artista e criação. O desafio presente, não é impedir esse avanço, mas aprender a conviver com ele de maneira consciente, ética e criativa, preservando o valor do que é humano ao mesmo tempo em que se explora, com responsabilidade, o poder dessas novas tecnologias.
Para você que quer compreender melhor o som do saxofone, e também como utilizar as novas tecnologias com este instrumento, aconselho aulas com o professor, o que certamente te dará a base para que possa se emancipar musicalmente.
Daniel Vissotto





